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Análise do mercado :: semana 07 à 11 de Setembro

A expectativa é de aumento da volatilidade com a chegada / aproximação do final do ano, com alguns índices já trabalhando de forma bem esticada, com as eleições americanas, acirramento das relações entre EUA e China, números de contágios e óbitos pelo covid-19 que permanecem num plateau expressivo, e a constatação ou não se as ‘possíveis’ vacinas estarão ao nosso dispor ainda este ano.

Os dois quadros abaixo tentam resumir como foi a semana baseado em alguns dos principais acontecimentos ocorridos na semana que passou aqui no Brasil, e nos EUA, principal economia do mundo.

Em suma, enquanto observamos dúvidas preocupantes com relação ao gasto público no Brasil, talvez o nosso maior tendão de aquiles nesse momento, visualizamos uma aparente retomada gradual da economia nos EUA,

Ibovespa

Observamos que pela sétima semana consecutiva o principal índice brasileiro fechou com uma barra doji (barra de indecisão, por não apresentar direção clara). Como a correção pelo menos até este momento é relativamente rasa, a mesma se assemelha bastante à uma possível bandeira de alta (faltando obviamente o rompimento da mesma). Ou seja, a simples visualização dessa figura gráfica significa dizer que a tendência do IBOV ainda é de alta.

Contudo, enquanto estagnamos na amplitude entre 100-105 mil pontos, os índices americanos renovaram as suas máximas históricas, e por esse motivo (falta de força / de convicção de alta), e claro, pelos temas mencionados previamente acima, não descartamos uma correção mais acentuada por aqui.

Como temos insistido nos nossos semanais, existe um descolamento relevante entre a economia real e os mercados de capitais, e mais do que isso, estamos diante de uma série de incertezas acerca da efetiva recuperação econômica do globo, que já caminhava num ritmo importante de alavancagem e desaceleração, e enfrenta com todas as suas armas, a pior crise econômica e sanitária desde o início do século passado.

No nosso matinal temos destacado que os contratos futuros do índice têm por meio de projeção de três figuras gráficas distintas um potencial de queda no curtíssimo prazo até a faixa dos 96,5mil pontos.

Observem que essas três projeções coincidentemente sugerem exatamente a mesmíssima depreciação’ nos preços.

Contratos de dólar

Já os contratos futuros de dólar voltaram para dentro da consolidação marcado pelas duas linhas paralelas em azul no gráfico abaixo, e podem voltar a testar o suporte na faixa dos USD/BRL 5,11.

Existe um aparente descrédito atualmente relativo ao pronunciamento do presidente do FED, Jerome Powell, no qual afirmou que o governo americano poderá admitir uma inflação pontual acima da meta sem a necessidade de ajuste nas taxas de juros do país, pois com base no histórico recente, a inflação média permaneceria na faixa dos 2%.

Não só esse posicionamento, como a recente e relevante desvalorização do dólar frente às principais moedas do mundo (vide gráfico do DXY mais abaixo), já vem incomodando os governantes da Zona do Euro, dado que este fato gera uma série de questões comerciais (perda de competitividade) para a região.

De qualquer forma, é importante enfatizar que tanto o aumento das tensões entre EUA e China podem gerar uma nova procura natural pelo dólar, denominado ativo de ‘segurança’, como o alto nível de endividamento tanto corporativo, quanto de diversos governos em moeda americana, geram uma demanda importante e natural pelo dólar.

O índice DXY depois de uma queda extremamente acentuada, vem se segurando dentro das duas linhas paralelas marcadas em preto no gráfico a seguir, e com base nos pontos citados acima, o mesmo poderá ter mais dificuldades para seguir caindo nos próximos dias / semanas.

Caso queira entender um pouco mais sobre o índice DXY, e quais são os principais fatores que fazem a moeda americana oscilar perante às outras moedas do mundo, sugerimos que assistam o vídeo ao lado, que aborda esses temas de forma extremamente resumida e simples. É um assunto de extrema importância para todos aqueles que queiram otimizar seus investimentos de uma forma em geral.

S&P 500

O principal índice americano fez novo topo histórico, impulsionado principalmente pelos papéis de tecnologia que hoje têm um peso superior a 20% no mesmo.

Contudo, o sell-off especialmente desses mesmos ativos, principalmente na última 5af, fez com que este fechasse a semana com uma grande barra externa, revisitando o seu topo histórico pré-pandemia.

Pelo gráfico, observamos que a tendência do índice continua sendo de alta, pelo menos até este momento. A barra da última semana, produziu sombras inferiores e superiores significativas, demonstrando um determinado equilíbrio entre compradores e vendedores, dado que estes últimos venceram a batalha tanto na 5a como na 6af. A de se esperar que essa briga continue nesta semana em questão.

Dependendo como a semana feche, poderemos estar diante de um padrão de price action conhecido como ‘ioi’ (inside, outside, inside bars), que como o próprio nome diz, consiste em 3 barras consecutivas, sendo a primeira e última por um inside bar (barra interna), e a do meio, por uma outside bar (barra externa). A configuração desse padrão, principalmente se localizados em um contexto adequado, podem antecipar a formação de breakout mode (modo rompimento), quando há a aceleração dos preços para uma determinada direção, depois de um breve descanso. Vamos ficar de olho !!!

Como inicialmente comentamos, existem alguns assuntos relevantíssimos que podem acarretar em mais volatilidade nesse segundo semestre, como:

(1) O aumento das tensões entre o país e a China, pode alterar de modo significativo a estrutura da dinâmica de relação comercial que prevalece atualmente no mundo. Lembramos que esse foi o principal assunto que mexeu com o humor dos mercados no ano que passou.

(2) As eleições americanas entram de fato no radar, e as pesquisas ou intenções de votos podem ser preponderantes para uma oscilação mais grave nos índices – como aconteceu na disputa anterior entre Donald Trump e Hillary Clinton.

(3) Embora alguns indicadores demonstrem uma retomada inicial da economia americana, a mesma ainda está bem distante da robustez de ‘outrora’. Fora que ainda não sabemos exatamente quais serão as consequências dessa ‘jamais vista’ injeção de liquidez, acompanhado da ‘promessa’ do FED de manter as taxas de juros nos níveis atuais mesmo com o possível advento de uma inflação mais rigorosa num futuro próximo.

Commodities 

As commodities de uma forma em geral podem representar  ou anteceder o ‘estado de saúde’ da economia global.

Abaixo observamos os gráficos do barril de petróleo americano (WTI), do minério de ferro e do cobre, respectivamente.

Depois de uma recuperação importante nos preços do barril de petróleo, o mesmo demonstra dificuldades para continuar subindo com a velocidade anterior, mesmo com uma queda expressiva na produção de óleo nos EUA (um dos principais produtores da commodity no mundo), e acentuada redução no número de contratação de rigs (sondas), que são os equipamentos utilizados na perfuração de novos poços para a extração de petróleo. 

Na semana que passou o petróleo corrigiu de forma considerável, quase que engolfando para baixo a barra do mês de agosto. Ou seja, a queda ou a variação desses primeiros quatro dias do mês de Setembro já foi superior à oscilação de preços do último mês.

Enquanto o comportamento nos preços desta commodity sugere ainda uma dificuldade de retomada econômica, a movimentação de outras geram uma maior dúvida sobre esse tema, como veremos a seguir:

O minério de ferro depois de romper uma importante consolidação na casa dos USD 100, atingiu a sua nova máxima histórica, tendência essa que vínhamos comentando nas análises semanais passadas. Boa parte dessa valoração se deu por um mix de fatores relacionados à determinadas disrupções na cadeia de suprimento combinado à um aumento imprevisto de demanda pela China.

O cobre é bastante utilizado para avaliar a saúde da economia como um todo.

A valorização deste tem sido  impulsionado também por preocupações relativas às cadeias de suprimento, dado que o Chile, principal produtor mundial, vem sofrendo bastante com a atual pandemia do coronavírus.

Muito parecido com o cenário do minério de ferro, enquanto enxergamos uma redução na oferta do mesmo, também identificamos um aumento gradual na demanda liderado pelo processo de tentativa de retomada econômica da China.

Ouro

O ouro após cumprir o seu alvo gráfico, apresentou uma correção relevante, e nesse momento parece estar ‘triangularizando’, e o rompimento deste mesmo triângulo poderá acelerar o movimento do metal para um dos dois lados.

No entanto, também aparentemente, o mesmo capturou uma parcela do movimento defensivo que naturalmente era direcionado ao dólar – dado que a intensificação de impressão de dinheiro pelos bancos centrais ao redor do mundo pode de fato trazer uma instabilidade em termos de confiança no poder aquisitivo do papel moeda.

Agenda econômica

A semana será repleta de eventos e divulgações que deixarão os mercados mais agitados, como a perspectiva de energia e oferta de empregos nos EUA, e decisão da taxa de juros na Zona do Euro.

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