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Análise do mercado :: semana 24 à 28 de Agosto

Nesta última semana alguns importantes índices de atividade industrial acabaram vindo abaixo das projeções dos mercados (EUA e Zona do Euro), o que demonstra que a recuperação econômica global pode ser mais lenta do que se pensa ou pensava.

Além disso, os pedidos iniciais de seguro desemprego nos EUA frustraram as expectativas dos mercados, com um aumento de pedidos se comparado à semana anterior.

Aqui no Brasil, esse indicador econômico (da atividade industrial) veio de forma bem positiva, assim como a surpreendente criação de novos postos de trabalho, conforme divulgado pelo CAGED.

Embora tenhamos notícias domésticas importantes no setor econômico, a questão dos gastos públicos tem sido o grande centro de atenção dos mercados. O aumento da popularidade do presidente da república na região Nordeste devido ao auxílio emergencial relativo à pandemia e sua prorrogação, e adicionalmente mais uma promessa de extensão até o final do ano, pode ser o atalho que o mesmo procurava para sua candidatura e possível reeleição em 2022. O problema é que a inclinação para políticas populistas pode comprometer mais ainda a saúde das já debilitadas finanças públicas.

Contudo, o mesmo reitera o seu respeito ao teto dos gastos públicos, mesmo com uma aparente pressão de alguns ministros a favor do programa pró-Brasil, que prevê dispêndios com uma série de obras públicas como forma de impulsionar a retomada econômica do país.

A proposta de orçamento para 2021, que deve ser endereçada em breve, poderá dar o tom da direção que o governo pretende tomar à esse respeito.

Ibovespa

Observamos que pela quinta semana consecutiva o principal índice brasileiro fechou com uma barra doji (barra de indecisão, por não apresentar direção clara). Ou seja, o mercado pode estar realmente um pouco desconfiado com a saída de alguns importantes membros do ministério da economia, e com o ponto mencionado acima sobre os gastos públicos.

Por enquanto, a tendência principal / primária continua sendo de alta. No entanto não descartamos uma correção mais acentuada conforme o andamento desses pontos, e alguns outros a nível internacional que abordamos mais abaixo.

No nosso matinal temos destacado que os contratos futuros do índice têm por meio de projeção de três figuras gráficas distintas um potencial de queda no curtíssimo prazo até a faixa dos 96,5mil pontos.

Observem que essas três projeções coincidentemente sugerem exatamente a mesmíssima depreciação’ nos preços.

Contratos de dólar

Já os contratos futuros de dólar após fazerem um movimento muito forte para baixo, e configurarem posteriormente um OCOI (ombro cabeça ombro invertido) que já se desconfigurou, vem subindo novamente após testar um importante suporte marcado pela linha azul mais espessa no gráfico abaixo. O mais recente rompimento da consolidação ressaltada pelas duas linhas horizontais promovem um potencial de alta para a faixa dos USD/BRL 5,90 – que também coincidentemente era a projeção que tínhamos anteriormente para o OCOI que se desfez.

Para a moeda americana, temos três importantes observações:

(1) O aumento das tensões entre EUA e China podem gerar uma nova procura natural pelo dólar, denominado ativo de ‘segurança’.

(2) Países e empresas estão super endividados, e grande parte dessa dívida está denominada em dólar. Desta forma, quase que obrigatoriamente, essas mesmas instituíções precisarão da moeda americana para honrarem seus compromissos à medida que esses forem vencendo.

(3) Como contraponto, o índice DXY vem caindo de forma bem acentuada, e está, após romper um suporte que não era ultrapassado desde o início de 2019, caminhando para outro que não é vencido desde 2015. O grande motivo para essa notável queda do dólar frente à algumas das principais moedas do mundo, é que a economia dos EUA pode se recuperar de forma mais lenta (se comparado à outras importantes economias do mundo), dado a manutenção dos altos números de contágio e óbitos pelo coronavírus no país.

Se você quiser entender um pouco mais sobre o índice DXY, e quais são os principais fatores que fazem a moeda americana oscilar perante às outras moedas do mundo, sugerimos que assistam o vídeo ao lado, que aborda esses temas de forma extremamente resumida e simples. É um assunto de extrema importância para todos aqueles que queiram otimizar seus investimentos de uma forma em geral.

S&P 500

O principal índice americano fez novo topo histórico, impulsionado principalmente pelos papéis de tecnologia que hoje têm um peso superior a 20% no mesmo.

Sobre o índice americano, e portanto, acaba dizendo respeito à todos os outros, existem alguns assuntos relevantíssimos que podem acarretar em mais volatilidade nesse segundo semestre, como:

(1) O aumento das tensões entre o país e a China, numa clara disputa pela hegemonia econômica, pode alterar de modo significativo a estrutura da dinâmica de relação comercial que prevalece atualmente no mundo. Lembramos que esse foi o principal assunto que mexeu com o humor dos mercados no ano que passou.

(2) As eleições americanas começam a entrar no radar, e as pesquisas ou intenções de votos podem de fato serem preponderantes para uma oscilação mais grave nos índices – repetindo a história que aconteceu na disputa anterior entre Donald Trump vs. Hillary Clinton.

(3) O país ainda não conseguiu controlar o contágio do coronavírus, e nesse momento há um importante impasse entre democratas e republicanos acerca da extensão, na verdade, do montante relativo ao novo auxílio a ser concedido às famílias americanas – auxílio esse que se expirou no final do mês de julho.   

Commodities e metais

Depois de uma recuperação importante nos preços do barril de petróleo, o mesmo demonstra dificuldades para continuar subindo com a velocidade anterior, mesmo com uma queda expressiva na produção de óleo nos EUA (um dos principais produtores da commodity no mundo), e acentuada redução no número de contratação de rigs (sondas), que são os equipamentos utilizados na perfuração de novos poços para a extração de petróleo. Essa tendência deve se manter à medida que os preços continuem operando nesse patamar, dado que o breakeven (ponto de equilíbrio) de produção de shale (óleo de xisto) nos EUA fica em torno dos USD 50/bbl.

Embora graficamente isso represente uma acumulação de forças, isto é, um modo ‘pré-rompimento’, podemos estar atravessando nesse momento um real equilíbrio entre oferta e demanda desta commodity.

O minério de ferro depois de romper uma importante consolidação na casa dos USD 100, atingiu a sua nova máxima histórica, tendência essa que vínhamos comentando nas análises semanais passadas. Boa parte dessa valoração se deu por um mix de fatores relacionados à determinadas disrupções na cadeia de suprimento combinado à um aumento imprevisto de demanda pela China. Entretanto, nessa última semana (como observamos pelo pavio superior deixado na última barra semanal), a commodity apresentou uma queda de preço pelo incremento dos seus estoques neste mesmo país asiático.

Desta forma poderemos observar uma correção nos preços nas semanas a seguir.

O ouro após cumprir o seu alvo gráfico, apresentou uma correção relevante, e nesse momento parece estar ‘triangularizando’, e o rompimento deste mesmo triângulo poderá acelerar o movimento do metal para um dos dois lados.

No entanto, também aparentemente, o mesmo capturou uma parcela do movimento defensivo que naturalmente era direcionado ao dólar – dado que a intensificação de impressão de dinheiro pelos bancos centrais ao redor do mundo pode de fato trazer uma instabilidade em termos de confiança no poder aquisitivo do papel moeda.

Agenda econômica

A semana será repleta de eventos e divulgações que deixarão os mercados mais agitados, como a divulgação dos PIBs da Alemanha e EUA, e discurso do presidente do FED, Jerome Powell.

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